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terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Por que vocês ateus têm tanta raiva? - Discurso de Greta Christina – Skepticon

Já faz muito tempo que quero postar este texto. Na verdade, pensei em upar os vídeos para meu canal do Youtube e deixá-los aqui divulgados, mas achei melhor fazer assim, transcrever o discurso para que qualquer um possa  ler, copiar e redistribuir. Só peço para colocar o link para cá  para ajudar o Árabe.

Realmente, sinto a mesma raiva que ela sente em muitos pontos. Teria muito a acrescentar, mas o que ela diz já deixa os religiosos em uma situação bem delicada para TENTAR argumentar conosco.

Em todo caso, fico feliz em ver como os religiosos se ofendem e alguns até mesmo perdem a cabeça conosco. Para mim, quando um crente se enfurece, meu pensamento é: "Bingo! Plantei a dúvida em mais um". É sério, quando eles se enfurecem significa que conseguimos abalar suas bases de fé. Se ele continua uma ovelhinha depois disso, é questão de mero orgulho bobo. Acreditem.

Mas estou me dispersando. Com a palavra, Greta Christina, a da foto.Por algum motivo ela me lembra alguém. Deixa pra lá... Solta o verbo, Greta.


Então por que vocês ateus têm tanta raiva?

Essa é uma pergunta muito comum nos dias de hoje. Nos últimos anos, o movimento ateu se intensificou, nos tornando muito mais visíveis, muito mais sonoros, muito mais ativistas, melhor organizados e muito menos apologéticos. E esse aumento de visibilidade colocou a raiva dos ateus em evidência.

E muitos não-ateus estão perplexos e atordoados, com o que eles vêem como uma súbita torrente de raiva atéia que surgiu do nada. Eu sei, se eles soubessem... E muitos dos próprios ateus estão incertos sobre o que fazer com essa raiva, com ela própria ou com a percepção do nosso movimento como fundamentalmente enfurecido.Então hoje eu quero falar sobre a raiva ateísta.

Primeiramente devo esclarecer que nem todos os ateus têm raiva da religião. A maioria dos ateus que conheço tem sim alguma raiva de algo específico que a religião faz no mundo, mas a comunidade ateísta é muito diversificada e uma das coisas em que mais nos diferenciamos é como nos sentimos em relação à religião.

Muitos ateus seriam perfeitamente felizes coexistindo com a religião, contanto que a religião esteja feliz de conviver conosco. Outros ateus têm uma... atitude mais confrontativa perante a religião. Eles, ou talvez devo dizer, nós, pensamos que existem aspectos no núcleo da religião que fazem a coexistência pacífica ser improvável. E estamos ativamente engajados em tentar persuadir as pessoas a sair disso.

Uma das coisas que acho mais interessantes sobre essa imagem de "raiva ateísta" que o movimento ateísta atual tem, é que os ateus são frequentemente vistos como irritados, confrontacionais, rudes, intolerantes, fanáticos, simplesmente por existirem e simplesmente por serem abertos sobre quem somos. Quando um grupo ateu coloca outdoors dizendo: "Você pode ser bom sem Deus" ou "Não acredita em Deus? Você não estã sozinho", as pessoas ficam piradinhas. Ironicamente, é o que faz essas campanhas com outdoors terem tanto sucesso, elas geram muita atenção da mídia e as pessoas ficam loucas por causa delas.

O blog Friendly Atheist mantém um registro dos diferentes outdoors e anúncios de ônibus e a reação das pessoas a eles. E a frequência com que as pessoas surtam, ou mesmo os vandalizam, tentam tirá-los, ou conseguem tirá-los e param as campanhas, é surpreendente.

É importante a respeito dessa "raiva ateísta" lembrar que sim, alguns ateus têm raiva da religião. Muitos ateut têm raiva da religião. Mas essa imagem que as pessoas têm do movimento ateu é aquela multidão furiosa com tochas e forquilhas querendo queimar todas as casas de adoração e pessoalmente desenterrar Jesus para crucificá-lo de novo. Eu sei, isso seria incrível mas... Mas sério, essa imagem de nós não é justificada; é importante lembrar que os ateus são lembrados como irritados e confrontacionais simplesmente por existirem e por serem abertos sobre quem somos.

Também é importante ressaltar que os ateus entre nós que estão com raiva da religião, não estão com raiva o tempo todo, não estamos num constante estado de raiva. Eu definitivamente e com orgulho digo que sou uma atéia com raiva. E não estou com raiva o tempo todo. A maior parte do tempo sou uma pessoa alegre. Pergunte para qualquer pessoa que conheço, muitas pessoas aqui me conhecem.

Mas há coisas na religião que me deixam com raiva e a outros ateus também. E eu acho que essa raiva é válida. Muitas pessoas perguntam hoje: por que vocês têm tanta raiva? E algumas dessas pessoas parecem nunca ter considerado a possibilidade de muitos ateus estarem com raiva porque nós temos razões legítimas para estarmos com raiva.

Quero falar disso um pouco, do porquê especificamente, muitos ateus estão com raiva, ou melhor, como eu não falo por todo o movimento ateísta, vou falar do porquê eu estou com raiva e baseado nas minhas experiências, minha raiva é a raiva que muitos ateus compartilham.

Tenho raiva porque de acordo com uma pesquisa recente, só 45% dos americanos votaria em um ateu para presidente.

Tenho raiva porque demorou até 1961 para ateus terem o direito de servirem num júri, testemunhar em um tribunal ou ter um cargo público, em todos os estados deste país. Eu nasci em 1961, não muito tempo atrás e nesse ano meus pais que eram incrédulos, não tinham o direito garantido de ocupar cargo público, um júri ou testemunhar em tribunal, em todos os estados deste país e isso me tira do sério.

Tenho raiva porque ateus nos Estados Unidos frequentemente têm a custódia dos filhos negada com base explicitamente no seu ateísmo. E isso não foi em 1961, isso aconteceu agora. juízes negam a custódia de filhos para pais ateus explicitamente por eles serem ateus.

Tenho raiva pelo blogueiro ateu no Irã, que disse que eles têm que postar como anônimos porque se forem descobertos serão executados.

Tenho raiva porque os conselhos escolares no país inteiro mais de 80 anos depois do julgamento de Scopes, têm que gastar tempo, dinheiro e recursos na batalha para ensinar evolução nas escolas públicas. Os concelhos escolares, se vocês não notaram, não têm muito tempo, dinheiro e recursos e o tempo, dinheiro e recursos gastos nessa briga estúpida é tempo, dinheiro e recursos que eles não estão gastando ensinando.

E similarmente, tenho raiva porque professores de ciência nessas escolas públicas muitas vezes não ensinam evolução mesmo quando é permitido e exigido pela escola. Ou não ensinam ou só mencionam porque eles não querem ouvir argumentos de pais fundamentalistas, eles não querem controvérsia. Quer dizer, evolução é a base da ciência  biológica, a biologia literalmente não faz sentido sem evolução e crianças que não aprendem a teoria da evolução estão sendo privadas de um dos mais fundamentais métodos que os seres humanos aprenderam para compreender a nós mesmos e o nosso lugar no mundo.

Tenho raiva porque as pessoas estão morrendo de AIDS na África e América do Sul porque a Igreja Católica os convenceu que usar camisinha faz o bebê Jesus chorar.

Tenho raiva porque missionários dizem para as mulheres de seu rebanho se submeterem a seus maridos porque é a vontade de Deus, mesmo quando esses maridos batem nelas até elas quase morrerem.

Tenho raiva que a crença em karma e reencarnação seja usada como justificativa para o sistema de castas na Índia.

Tenho raiva porque as pessoas nascidas na pobreza são ensinadas que a culpa é delas, que elas devem ter feito algo muito ruim em uma vida passada e a miséria em que nasceram é culpa delas.

Tenho raiva porque pessoas na África estão sendo aterrorizadas, expulsas de suas casas, mutiladas, torturadas e mortas por acusações de bruxaria. Não na Idade Média, não nos anos 1600, mas hoje. Caça às bruxas acontecendo hoje.

Tenho raiva porque tantos pais e líderes religiosos aterrorizam as crianças com histórias vívidas e traumatizantes de fogo eterno e tortura para assegurar que elas vão ficar aterrorizadas demais até para questionar a religião.

Tenho raiva porque crianças são ensinadas pela religião a odiar e temer seus corpos e sua sexualidade e especialmente porque meninas são ensinadas a odiar e temer sua feminilidade. E crianças homossexuais são ensinadas a temer sua homossexualidade.

Tenho raiva porque em cultos fundamentalistas poligamistas mórmons, meninas são criadas acreditando que vão ser atormentadas eternamente no pós-vida, se elas não se casarem com quem quer que seja o homem que o missionário diga; na maioria dos casos quando são adolescentes, em alguns casos com apenas 13 anos. Em alguns casos, mais novas ainda.

E tenho mais raiva ainda porque nas igrejas mórmons não-poligâmicas, mais convencionais, meninas são criadas acreditando que vão ser atormentadas eternamente no pós-vida, se não se casarem, não tiverem muitos filhos e não forem obedientes aos seus maridos. e as crianças homossexuais são criadas acreditando que vão ser atormentadas eternamente no pós-vida se não reprimirem e negarem sua sexualidade.

Num tópico não relacionado, tenho raiva porque na cidade de Salt Lake em Utah, 40% de todos os adolescentes sem-teto são gays, a maioria crianças que foram expulsas de casa por seus pais mórmons. Excelentes valores familiares que vocês têm.

Tenho raiva porque em colégios públicos do país, isso nos Estados Unidos, estudantes ateus que estão tentando organizar clubes, aliás algo que eles têm autorização legal para fazer, estão sendo obstruídos pelas administrações das escolas. Se você quiser saber mais, fale com JT Eberhard e o pessoal da Secular Student Alliance. É uma droga isso, eles vão te falar mais do que você queira ouvir.

Tenho raiva pela garota de família muçulmana e isso numa escola pública, paga por impostos, onde seu professor, pago por impostos, a contou que as linhas vermelhas nos doces de natal, representam o sangue de Cristo. Que ela teria de aceitar e ser salva por Jesus ou então ela seria condenada ao inferno. E se ela não se convertesse, não haveria espaço para ela na aula dele.

Tenho raiva, ou melhor, estou enfurecida pelos padres que estupram crianças e falam para elas que é a vontade de Deus. Tenho raiva porque a Igreja Católica, por anos, agiu para proteger esses padres que estupram crianças e deliberadamente agiram para isso permanecer em segredo. Tenho raiva porque eles colocaram a reputação da Igreja como prioridade maior ao invés de - cacete - crianças não serem estupradas.

Tenho raiva pelo 11/09, e porque depois que o 11/09 aconteceu, as pessoas descendentes do Oriente Médio foram atacadas e suas empresas vandalizadas, porque eram muçulmanos ou porque acharam que eram, mesmo quando não eram e as pessoas culparam todos os muçulmanos pelos ataques.

E tenho raiva porque, depois do 11/09 acontecer, Jerry Falwel culpou, deixe-me ver: pagãos, aborcionistas, feministas, gays e lésbicas, a ACLU e o “People For the American Way”. Isso praticamente engloba todo mundo aqui, certo? Quer dizer, parece engraçado porque é engraçado, mas também me deixa furiosa, essa teologia de um deus irado que está se vingando de pagãos e aborcionistas enviando muçulmanos fundamentalistas em aviões contra um prédio cheio de secretários e investidores! Isso não é uma teologia qualquer, não é uma teologia mantida por alguém com doze seguidores. Essa é uma teologia mantida por um poderoso e respeitado líder religioso, com milhões de seguidores.

Tenho raiva porque as estátuas dos Budas de Bamiyan no Afeganistão, magníficas obras de arte monumental com mais de 1500 anos, foram explodidas pelo Talibã; porque eram ídolos. Porque idolatria foi considerada uma afronta à lei de Deus.

Tenho raiva porque garotinhas têm tido seus clitóris cortados devido a religião dos pais ensinar que isso é necessário. E tenho raiva porque muitas pessoas tentam defender a religião contra a acusação de mutilação genital feminina dizendo: “Mas isso não é o que diz originalmente, se você olhar o texto original... está mal interpretado...”. Como se eu me importasse! A realidade é: na religião islâmica como atualmente é acreditada e praticada - e não só a islâmica, nas outras também, esse ensinamento não está restrito ao Islã - essas religiões como são acreditadas e praticadas no mundo real ensinam que o clitóris de garotinhas têm que ser cortados e eu estou furiosa porque as pessoas reagem a isso defendendo a religião e não a criança.

Tenho raiva por mortes de honra.

Tenho raiva porque na teocracia islâmica, mulheres que têm sexo fora do casamento, que namoram fora da religião, que passam o tempo com amigos homens, que desobedecem parentes homens, são executadas.

Tenho raiva porque na teocracia islâmica, mulheres que foram estupradas, podem ser e são executadas por crime de adultério. Tenho raiva porque as que “só” são espancadas na prisão são as que têm sorte.

Tenho raiva porque nas teocracias islâmicas, meninas podem se casar com 9 anos contra sua vontade.

Tenho raiva porque quando uma menina de 9 anos foi estuprada no Brasil, os médicos que fizeram o aborto nela e a família que aprovou o aborto, foram excomungados pela Igreja Católica. E estou com raiva porque não houve excomunhão para o homem que a estuprou.

Tenho raiva porque em 13 estados dos Estados Unidos, centros de cuidado para crianças dirigidos por organizações religiosas, não precisam aderir, por lei, aos padrões básicos de saúde e segurança e nem mesmo precisam ter licença. Tenho raiva porque as crianças nesses centros de cuidado foram feridas e até mesmo morreram por causa de condições inseguras e os operadores são imunes a acusações.

Tenho raiva porque crianças gravemente feridas sofrem e morrem em vão porque seus pais acreditam em cura pela fé. Ou acreditam que tratamento médico vai irritar seu Deus. Tenho raiva porque em 39 estados nos Estados Unidos, esses pais estão protegidos de acusações por negligência infantil.

Tenho raiva pelo que aconteceu com Galileu. Ainda, ainda estou brava. Eu sei que aconteceu em 1633, mas ainda estou brava. Tenho raiva porque demorou até 1992 para a Igreja Católica se desculpar.

Eu fico brava quando líderes religiosos oportunisticamente  usam a religião e a confiança das pessoas na fé e na religião, para roubar, passar a perna, mentir, manipular ilegalmente o processo político, ganhar vantagem econômica, sexual dos seus seguidores, para de modo geral agir como a escória da Terra. Fico brava quando isso acontece repetidamente; fico brava quando abro um jornal e vejo a manchete: “Líder religioso é um mentiroso, oportunista, ladrão, trapaceiro, desprezível” e nossa reação é: “É, nada de novo”.

E fico brava quando as pessoas vêem essas coisas e ainda falam que o ateísmo é ruim. Porque sem religião, as pessoas não teriam base moral ou ética, só fariam o que quisessem.

Tenho raiva porque quando meu pai teve um derrame e foi para uma clínica, a equipe perguntou pro meu irmão: “Ele é batista ou católico?”. e eu não estou com raiva só pelo meu pai ateu, mas também por todos os hindus, judeus, muçulmanos, wiccas, luteranos, episcopais, presbiterianos a cujas famílias foi perguntada a mesma coisa. Essa pergunta é muito desrespeitosa não apenas para meu pai ateu, mas para todos naquela clínica que não sejam batistas ou católicos.

Tenho raiva quando religiosos fazem argumentos contra o ateísmo e fazem acusações contra ele, sem sequer ter falado com um ateu ou lido qualquer coisa que escrevemos.

Fico brava quando eles tentam a velha “ateísmo é uma filosofia niilista sem alegria ou significado, sem base moral ou ética”. Quando, se eles gastassem 10 minutos na blogosfera ateísta, eles descobririam inúmeros ateus que desfrutam de muita alegria em suas vidas e são intensamente preocupados com o certo e o errado. Dá muito trabalho digitar “ateísmo” no Google e apertar enter? Mas se você vai ser um intolerante, pode pelo menos se dar ao trabalho?

Fico brava quando crentes dizem que a grandeza inimaginável do universo foi feita inteiramente para a raça humana e quando ateus, em contraste, dizem que a humanidade é esse piscar de olhos infinitesimal na vastidão do tempo e espaço, então os religiosos acusam ateus de serem arrogantes.

Fico brava quando religiosos argumentam dizendo que somos intolerantes, maldosos, superiores, chorões, bravos, sem argumentar por que estamos errados e eles certos.

Fico brava porque eu tenho que saber mais da religião deles do que eles! Sério, os crentes dizem as coisas mais bizarras, imprecisas e imbecis sobre a própria religião, sobre os textos da própria religião e eu tenho que corrigi-los ou tenho que pesquisar a respeito. A noite que passei 6 horas vasculhando os evangelhos achando todos os lugares onde Jesus de fato falou sobre o inferno, porque alguém argumentou em meu blog: “Não, Jesus nunca mencionou o inferno, isso inventaram depois. São 6 horas da minha vida que eu nunca vou ter de volta. Eu tinha coisas para fazer, sabe? Eu podia estar assistindo Project Runaway.

Fico brava quando crentes tratam qualquer crítica à religião deles como insultante e intolerante. Fico brava porque tratam a nós, que tratamos a religião deles como uma ideia, uma hipótese  sobre o mundo no mercado de ideias que podem ser questionadas e criticadas, como a pior forma de intolerância.

Fico brava quando eles acusam ateus de serem intolerantes por dizerem coisas como: “eu não concordo com você”. “Eu acho que você está enganado sobre isso”. “Que evidência você tem para apoiar isso”? Fico brava quando religiosos respondem a algumas dessas ofensas com: “ah, essa não é a fé verdadeira”. Odiar homossexuais, reprimir a ciência, reprimir questões de descendência, essa não é a fé verdadeira, pessoas que fazem isso, elas não são cristãos de verdade, não são judeus de verdade, não são muçulmanos de verdade. Como se eles soubessem, como se eles tivessem um contato direto com Deus, como se eles tivessem qualquer razão, para achar que sabem com certeza o que Deus quer e que todas as pessoas que discordam claramente entenderam errado.

Tenho raiva porque quando escrevi um texto no meu blog sobre ateísmo e raiva, recebi comentários dizendo: “É uma pena que sua mãe não fez um aborto”, “Espero que alguém exploda sua casa, sua puta”, “Só se mate, ok?”, “Você precisa é transar, não com brinquedos lésbicos. Precisa de um homem forte com um instrumento grande e desejo forte para te endireitar”. De alguma forma, as ameaças de estupro são mais perturbadoras, são mais pessoais. “Eu odeio todas as pessoas que postaram aqui e se existisse algum botão mágico que eu pudesse apertar que aniquilasse sua existência coletiva num instante, eu apertaria 1728 vezes”. Não sei o porquê desse número mas... “Sua vadia gorda e feia, sua raiva não me impressiona. Vá beber alvejante”. Ok, é engraçado, mas ao mesmo tempo também é assustador pra cacete.

E eu estou com raiva mesmo porque escrever minhas opiniões ateístas, sim, concordo, opiniões com raiva... mas tenho cuidado para distinguir entre criticar pessoas de criticar ideias. Em todo caso são opiniões, expressadas em um blog que as pessoas são livres para ler ou não à vontade.

Estou com raiva mesmo porque fazer isso resultou em temer por minha segurança e vida. Mas talvez, acima de tudo, talvez acima de tudo fico com tanta raiva, de aumentar a pulsação, uma raiva inarticulável, quando crentes repreendem ateus por terem tanta raiva. “Por que você tem que ter tanta raiva o tempo todo”? “Essa raiva é desnecessária”. “Se o ateísmo é tão formidável, por que alguns de vocês têm tanta raiva?” Porque isso é outra coisa que eu tenho raiva. Toda essa raiva sobre a qual discursei hoje não é nem o começo. Eu podia escrever um livro inteiro sobre tudo na religião que me deixa com raiva. Algumas pessoas já fizeram isso, estou entre elas, mas sério, eu podia escrever uma enciclopédia sobre tudo na religião que me deixa com raiva e ainda assim não seria tudo.

E estou com raiva mesmo que isso é verdade, que a raiva ateísta pela religião é só um suposto sinal, não de que há algo errado com a religião, mas que há algo de errado conosco.

Maravilhoso discurso, não? Agora, com a palavra as Ovelhinhas do Senhor. A seção de comentários está aberta.

Greta Christina é uma blogueira ateísta, palestrante e autora. Escreve em seu blog (atualmente hospedado em http://freethoughtblogs.com/greta) desde 2005.

2 comentários:

  1. Quanta coisa idiota!! Essa maldade ai e' dos homens minha filha. Alias, feia do jeito que tu e', fica dificil acreditar em Deus mesmo! Ou Ele teria que ser muito ruim p/ te fazer desse jeito.

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    Respostas
    1. "Quanta coisa idiota!! Essa maldade ai e' dos homens minha filha."

      Sim, a maldade vem dos homens e não tem nada a ver com o que a religião ensina para eles. Certamente não há na Bíblia uma passagem violenta, intolerante, machista. Esqueci que para vocês crentoscos, a Bíblia é igual filme pornô, vocês pulam as partes chatas.

      "Alias, feia do jeito que tu e', fica dificil acreditar em Deus mesmo! Ou Ele teria que ser muito ruim p/ te fazer desse jeito."

      Quem não tem resposta satisfatória, ataca. "Ad hominem" é uma das falácias mais comuns de vocês. E mostra mais ainda como é o "amor cristão". Ainda bem que não pertenço mais à turma de vocês.

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